sábado, 25 de junho de 2016

Viagem à Manchester - parte III

Depois da confusão e perrengues da chegada, vou comemorar o que fui fazer em Manchester: ver um jogo no estádio, in loco! Mas antes de chegar no jogo, fiz um pequeno tour pela cidade.

Para vocês terem ideia, eu rodei muito e basicamente no mesmo lugar até conseguir chegar no hotel, quando eu sai para conhecer a cidade, eu perguntei para a recepcionista como eu iria para o centro de Manchester: ela falou você pode pegar o tram (para quem é do Rio, é aquele VLT que estão colocando no centro da cidade) e que fica muito perto do hotel ou você atravessa a rua, vira a direita e segue em 10 minutos você estará no centro. Porra, que raiva pelo que passei na noite anterior.

Resolvi ir andando para o centro para poder conhecer a cidade mais. Claro que estava frio, mas com uma roupa apropriada e com o corpo quente pela andada, dava para suportar tranquilamente. Isso era muito cedo ainda, de um sábado, tipo antes das 9 da manhã, não tinha muitas coisas abertas, mas foi importante para pegar alguns pontos de referência e procurar lugares para comer. 

Não tenho muito o que falar sobre essa parte, fiquei apenas andando na cidade para conhecer mesmo e ansioso para chegar logo a hora do jogo. Quando estava voltando para o hotel, pensei em dar uma passada no Etihad, fica na direção oposta do centro em relação ao hotel, uma caminhada de 1,5 kms do Ibis. Vi como chegava, não era longe nem difícil, desse ponto onde eu estava hospedado eram duas estações de tram. Pronto já era hora do almoço, voltei para o hotel, tomei um banho, comi e me arrume para chegar ao estádio.

Nome da Estação perto do Ibis Budget.


O jogo era contra o Aston Villa e estava feliz e confiante. Cheguei no Etihad bem antes do inicio para ver a movimentação dos torcedores e fiz uma burrada, tipo coisa de turista mesmo: fui na loja do clube comprar coisas antes da partida. Dica para vocês que pensam em ir lá: não façam isso. Você fica com uma sacola na mão durante o jogo, andando para cima e para baixo com aquilo, a loja estava cheia, você não aproveita direito. Não entrei depois do jogo, mas deve ficar bem mais vazia, além do mais tem uma loja grande do City no centro da cidade. Se for no jogo, vai para vê-lo, depois pensa em comprar.

Voltando a movimentação pré jogo, para quem gosta de video game, não é meu caso, há um conteiner da EA Sports que ficou lotado o tempo que vi, não entrei, com pessoas jogando o último FIFA. Aquela Fan Fest não atraia muitas pessoas, quem focava mais eram as crianças. Talvez as atrações não tinha sido as melhores naquele dia. Faltava um pouco mais de uma hora para começar o jogo e entrei para conhecer o estádio.

Por dentro tem vários murais com a história do clube, momentos marcantes nas paredes e lugar para comer para cacete. Fui achar meu lugar, paguei £ 36 libras no site do clube numa cadeira que ficava atrás do gol à esquerda da transmissão da TV, por sorte onde o City marcou os quatro gols naquele dia. Fiquei muito perto do gramado, se o Aston Villa tivesse atacado, poderia defendido um chute deles, com os jogadores do City a bola só iria no gol....rs

Realmente aquela frase que você conhece todas as estações do ano em Manchester em apenas um dia é a mais pura verdade. O tempo estava nublado e frio, virou para uma chuva considerável que ainda bem só bateu no campo, não em mim, depois fez sol, partes das arquibancadas ficaram iluminadas e depois o tempo voltou a ficar nublado. Isso tudo num período de 20 ou 30 minutos antes do jogo começar.

No aquecimento, os jogadores do City ficaram nessa metade do campo onde eu estava. Levei minha bandeira do Vasco, vai que eu apareço na transmissão, já tinha visto bandeira do Bahia numa. Eu acho que o Fernandinho viu a bandeira, mas não iria parar o que estava fazendo, o que era mais importante, do que vir falar com um brasileiro, se fosse do Atlético Paranaense talvez. O Fernando Reges não pode jogar essa partida, acho que estava contundido.

Tinha colocado para gravar, mas não sei se foi problema da Fox ou da NET, mas o jogo não foi no Fox 1 e sem no Fox 2. Sobre a bandeira, é um troço chato porque o segurança chega e você e pergunta o que é aquilo, expliquei para ele que era uma bandeira de um time de futebol no Brasil. Ok, passou. Pouco depois chegou o que parecia ser o chefe da segurança, olhou para mim, perguntou para o segurança comigo na visão dele, acho que o segurança explicou, mas mesmo assim resolvi guardar a bandeira. Não iria querer ficar no meio do jogo com alguém me pentelhando. 

Acredito que eles tenham cuidado para não aparecer nenhuma bandeira de cunho político, religioso, qualquer coisa que possa prejudicar ou associar o clube com uma causa que o clube não apoia, não participa.

O jogo começou e o frio bateu de verdade, quando você fica parado, você sente o ar ao seu redor. As extremidades, mãos e pés, é que sentem logo. Porra, Carlos, isso você aprendeu no colégio, não é novidade. Isso prova que não fui um bom aluno. As mãos você mete dentro do casaco, nos bolsos e dá levar, mas os pés, com uma meia fina, normal. Meu Deus! Achei que perderia os dedos e o jogo no primeiro tempo não teve muitas emoções para me aquecer. 

Queria falar sobre o lugar que eu comprei, parecia ser ótimo no site, perto do campo, essas coisas, mas eu não gostei porque falta referencial para ver o jogo. Como eu não conseguia ver as linhas, eu estava na altura do gramado, não sabia se a jogada estava perto da área, se era perigosa ou não. Muitas vezes eu me virei para o telão para saber onde a bola estava. Talvez por isso que o lugar seja um dos mais baratos.

A torcida é bem fria no estádio todo, você vê pouco incentivo na arquibancada, diferente do jogo da segunda divisão que eu fui, mas isso é papo para outro dia. Algumas vezes se gritava o Come On, City, ainda mais nos momentos de pressão do time, não quando precisava incentivar o time a jogar. No segundo tempo o time fez um gol cedo, então o jogo andou.

Pena que eu não vi um Hat Trick do Aguero, ele perdeu um pênalti ( sejamos justos, eu achei que no primeiro tempo o juiz não deu pênalti para os visitantes, um dos zagueiros, acho que foi o Kompany, bateu com a mão na bola muito perto de mim). Eu iria tirar a bandeira do Vasco nesse momento, achei melhor não. Sou bem pessimista, vai que ele perde o pênalti e me culpam por isso...rs...talvez fosse proibido de entrar em São Januário novamente.

Jogo terminado, missão completa, agora era hora de voltar para o Hotel e me aquecer um pouco, principalmente os pés. No domingo iria conhecer Liverpool, passar uma tarde com os Beatles.

Fotos e Videos:


































































domingo, 19 de junho de 2016

Viagem à Manchester - parte II

Essa deve ser a parte de menor duração em horas, mas foi a mais confusa de toda a viagem. Para recapitular, terminei a última saindo de Frankfurt para Manchester, agora estou no Aeroporto da cidade inglesa e começa um período de quase quatro horas de problemas.

Antes de entrar no avião, havia duas filas que separava os ingleses dos não ingleses, é óbvio que entrei na segunda, entretanto na hora que cheguei no guichê, o funcionário ficou olhando para o meu passaporte, pensou, tirou um tempo para tentar entender o porquê deu ter me dirigido para aquela fila. Tive que mandar a tradicional explicação que eu sou brasileiro, apenas nascido em Manchester, não sou inglês. O campeão aceitou, me deu um papel para a imigração e vida que segue.

O voo entre as duas cidades é curto, pouco mais de uma hora, mas num avião pequeno e todas a cadeiras lotadas, para piorar eu fiquei no meio. Eu basicamente voltei no tempo nessa viagem: sai às 23 da Alemanha e, por causa do fuso horário de uma hora a menos na Inglaterra, também cheguei às 23 na Inglaterra.

No aeroporto, a primeira coisa a fazer foi andar para cacete até chegar ao posto da imigração (todos os aeroportos você anda muito). Aquele documento que o funcionário me deu na Alemanha foi preenchido com ajuda do senhor que fazia bastante aquele trajeto, gente boa o sujeito. Fui liberado logo e fui buscar minha mala. Quando estava na Alemanha, uma amiga tinha perguntando se eu havia levado alguma roupa na mochila para caso a mala tivesse sido extraviada, a resposta foi negativa.

Enquanto a minha mala não chegava, já tinha visto uma outra umas três vezes, eu só xingava a mulher. Eventualmente a mala apareceu e eu pude tomar o rumo da cidade. Eu poderia ter tomado um táxi, quando cheguei no ponto, não havia nenhum e tinha uma pequena fila. Conversei com um sujeito e ele falou que havia o ponto final do ônibus ali perto que me levaria para o centro de Manchester. Pensei que seria uma boa ideia, afinal já peguei ônibus tarde da noite aqui no Rio e nada aconteceu, por que aconteceria em Manchester?

A minha preocupação foi uma que já tinha tido aqui no Brasil, notas pequenas de Libra para facilitar o troco. Quando fiz a compra na casa de câmbio, eles só vendiam notas de 20 e 50 libras, sabia que isso iria dar problema. Quando cheguei no terminal de ônibus, uma menina e seu pai me ajudaram em relação aos ônibus, mas não deu para trocar uma nota de 20 e nem naquelas máquinas automáticas deu para comprar qualquer besteira para ter troco. Vamos ver o que o motorista dirá.

E a resposta não foi muito satisfatória não. Era quase meia noite, mostrei a ele aquela nota de 20, olhou para a minha cara, falou muita coisa que eu não entendi, na mínimo estava me xingando, entendi a parte do " senta aí atrás e quando chegar no ponto final, a gente vê", bem puto da vida. Como no Brasil, pelo menos aqui no Rio, se usa muito o bilhete eletrônico, é pouco dinheiro na mão do motorista.

Sentei quietinho na minha com a mala, a mochila e um cara de assustado, muito estudante indo ou saindo de festas entrando no ônibus, e fui até Piccadilly Gardens, que é o centro de Manchester. Quando chegou no ponto final, não havia troco, o cara me deu um esporro para ou comprar um bilhete eletrônico, que é muito mais jogo e barato do que pagar passagem, ou arrumar notas baixas. Ok, agradeci e saltei.

Gente, havia pouquíssimas pessoas na rua para eu pedir informação. E frio. Eu tinha que chegar no hotel Ibis Budget na Pollard Street, que segundo o Google Maps, não era longe do centro. Aquele tempo que eu gastei nos cursos de inglês, nessa noite mostrou que eu deveria ter me esforçado mais. Eu tive a primeira aula quando fui pedir direção num supermercado. Cheguei e perguntei para uma pessoa que estava lá dentro se saberia onde fica o Ibis Budget. O cara pensou, pensou e pensou mais um pouquinho e veio com a resposta, você quer dizer Aibis Budget. Minha contra resposta foi "isso aí campeão". Ele não sabia.

Fiquei rodando, tentei mexer no celular (aquele que estava com problema na Alemanha) para saber se conseguiria utilizar o GPS, sem internet, sem chance. E fui eu rodar a cidade numa noite fria e com mala na mão para procurar saber onde era o hotel. Depois de um tempo entrei num hotel e perguntei, os funcionários não sabiam direito aonde era. Me deram um mapa, fizeram marcação nele, só que sem confiança nenhuma. Andei mais, a noite continuava fria, sorte que não chovia. Um momento reflexão aqui: há muito morador de rua em Manchester, não foi difícil encontrá-los deitados em farrapos no chão. 

Andei até a estação de trem para pedir ajuda. Quem tentou me ajudar não era o inglês, parecia um imigrante pela dificuldade de falar. O cara tentou me ajudar, mas também não conhecia a cidade. De uma salinha saiu um casal de policial, achei que poderiam ser eles os salvadores, mas o homem quis apenas me dar uma direções, eu achei que poderia me colocar no carro e me levar, afinal não parecia que seria uma viagem longa de carro. Eu achei o sujeito bem grosso e aprendi que qualquer rua onde passem dois carros é uma rua principal para eles.

Tentei seguir a direção dada por ele, mas não deu em nada e imaginei que poderia ter acabar pior a situação. Vocês sabem aquele filmes americanos onde há um rua que passa por debaixo de um viaduto escuro e que normalmente serve de ponto de venda de drogas, prostituição e qualquer coisa que possa dar merda? É, eu tive que passar por uns dois desses.

Imaginem isso no escuro.
                                       
Com a direção me dada, eu teria que passar e eu pensei: "vou ser roubado, morto, ter meus órgãos retirados, vou ser enterrado como indigente, mas tenho que passar por aí para chegar." Nada aconteceu, seja nada de ruim, mas também não cheguei no hotel. Entrei numa garagem estacionamento e o cara também não sabia para onde eu deveria ir. Sai e passei por outro viaduto daquele, já era uma hora da manhã ou mais. 

Veio um taxista me perguntar se eu queria ajuda, quer saber? Vamos nessa, não dá mais para ficar andando a esmo e estava bem cansado. Só que o campeão era somaliano e torcedor do Chelsea, puxou conversa sobre o futebol brasileiro, fingiu que conhecia os times aqui e me levou para o Aibis. Só que no errado. O meu era o Ibis Budget na Pollard Street, ele me levou no Ibis na Portland Street. Eu sabia que era o errado por causa da fachada do hotel, mas nem quis discutir com o taxista. Paguei, sai do táxi, entrei no hotel para pedir informações.

O recepcionista que também não era inglês me perguntou se eu queria as direções, porque eu tenho certeza que ele saberia, ou outro táxi. Preferi o táxi porque o cara iria seguir as orientações do recepcionista e eu finalmente chegaria ao meu destino. O taxista não era inglês, era marroquino, mas esse aí sabia chegar! At last, Ibis Budget Hotel on Pollard Street.

Fiz o check in quase às duas da manhã e fui para o meu quarto. A minha surpresa foi chegar nele e ter uma cama tipo beliche, acima da cama de casal. Com a cabeça a mil, eu pensei será que, por causa dessa cama extra, eu contratei um quarto que eu poderia ter que dividir com alguém? Desci e perguntei, o cara, que também não era inglês, me disse que não. Não acreditei muito não, então tranquei a porta e coloquei a mala atrás da porta para me proteger.

Gente, isso era sábado de madrugada, dia 05 de março, já era dia do jogo contra o Aston Villa. Eu tomei um banho e entrei na cama. Eu estava tão assustado que dormi em posição fetal, todo encolhido. Não conhecia nada da cidade, a comunicação em vários momentos foi complicada, me sentia um analfabeto. Só ia sair do quarto para ir ao jogo! Mas pensei melhor, tomei coragem, levantei às 7 da manhã e fui conhecer a cidade de manhã antes da partida.

O dia do jogo será a parte III da viagem.


domingo, 12 de junho de 2016

Viagem à Manchester - parte I

Nesse período de ausência no blog, eu não deixei de acompanhar o Manchester City, só não estava disposto a escrever. Tanto não larguei o City de mão que aproveitei minhas férias em março e fui conhecer a cidade onde nasci e ver um jogo in Loco. Foi bem legal a viagem com alguns problemas pontuais, mas que depois do ocorrido e nada grave ter acontecido, fica engraçado.

Os grandes problemas aconteceram no primeiro dia da viagem, na ida do Rio de Janeiro para Manchester via Frankfurt. O meu planejamento foi para ver o jogo entre o Manchester City e Aston Villa, dei sorte porque pegaríamos o lanterna, mais lanterna do mundo. Nesse cenário imaginava muitos gols e que, ainda bem, aconteceram. Então vou começar a descrever a viagem.

É preciso colocar na cabeça de vocês que essa era uma viagem cabaço, nunca havia saído do país sozinho, então não tinha a menor ideia do que iria acontecer comigo, era tudo novidade. O voo da Lufthansa saiu do Rio às 19 horas do dia 03 de março, faria escala em Frankfurt para eu pegar um que me deixaria em Manchester. Achei que isso fosse mais seguro, chegar em Manchester e não em Londres para não ter perigo por causa de atrasos e perder o jogo, afinal o jogo era o objetivo.

O avião estava bem vazio, mas antes da decolagem , um sujeito, que eu acredito que seja russo e estava na mesma fileira de três poltronas do que eu, falou alguma coisa comigo em inglês: "sdasda asdsaTED?", que eu não entendi nada. Como sou um cara desconfiado, não dei muita bola, não me lembro o que eu respondi, mas fiz de cara fechada, é meu jeito. As portas do avião foram fechadas, ele pulou para a fileira da frente e aí eu entendi o quê ele falou: "The board is completed?", o embarque está completo? 

Ele queria saber disso porque queria pular para a fileira da frente, ter mais espaço para nós dois e, como era um voo noturno, levantaríamos os apoios das poltronas e dormiríamos "confortavelmente". Entenderam? O cara foi simpático comigo e eu fui escroto sem necessidade. Ficou essa lição para mim: russo não é mafioso como nos filmes de Hollywood. Esse aí e o amigo dele foram simpáticos na medida do possível. Beleza, dormi e acordei com essa visão do amanhecer por cima da Espanha, quase chegando na Alemanha.

                                                   
Amanhecer sobre a Espanha

Amanhecer sobre a Espanha


Aterrissamos na Frankfurt e estava pronto para eu ir para o terminal de embarque para Manchester. Para a minha surpresa haveria um ônibus para nos levarmos para lá, antes de fazer o embarque passaríamos na imigração. Eu digo minha surpresa porque achei que teríamos aquele troço que acopla no avião e nos deixa direito no prédio, eu não estava preparado para enfrentar o frio de 7º C (que fique claro que eu moro no Rio, então isso é frio, ok?). Porra dentro do avião estava quentinho, não estava nem de casaco. 

Entrei no ônibus e já procurei o casaco que levava na mochila, mas não era suficiente e ainda tinha que esperar todas as pessoas descerem e embarcarem nesse maldito ônibus. Gente, parecia aqueles filmes onde tem um carro de palhaço que não para de sair gente de dentro, que inferno (de frio!). E por último saia, os pais com seus filhos que queriam brincar na escada, não se preocupavam com o frio porque para eles aquilo era normal. Eu batendo queixo no ônibus e aquelas malditas crianças rindo e se divertindo. Beleza, superei essa desafio sem xingar (pelo menos em voz alta) ou matar nenhuma daquelas crianças.

Na imigração foi tranquilo, como meu objetivo era ir para a Inglaterra, o policial de fronteira alemão falou que não precisava passar por ali porque a Inglaterra não fazia parte do Acordo de Schengen, apesar de ter tirado o seguro exigido para quem passa ou visita os países desse acordo. Como eu tinha apenas cinco horas para pegar a conexão para Manchester, eu não tinha o porquê visitar Frankfurt, era capaz de conhecer nada e perder meu voo.

Fiquei rodando no aeroporto e procurei naquelas Tv´s se o voo estava no horário. Conferido, iria embarcar em menos de cinco horas para Manchester! Aproveitei o wifi do aeroporto e fiquei conversando com o pessoal no Brasil via Whatsapp, só que o celular resolveu dar um problema de merda.

Imagina vocês que o sensor ficou travado em dois lugares, mais ou menos em cima do "5" e do "7", ele ficava louco apertando esses dois "botões" e eu não conseguia fazer nada. Porra, logo aqui para dar esse problema?! O celular seria minha máquina fotográfica, meu GPS e meu modo de avisar as pessoas no Brasil que estava vivo e ele para de funcionar? Inferno! Desliguei ele, limpei a tela com tanta força, tirei o cartão de memória, tentei fazer de tudo para que funcionasse. Essas medidas não deram certo 100%, mas resolveu parte do problema. A outra parte eu resolveria na Inglaterra, não queria me estressar mais em terras germânicas, senão iria ficar um 8-1 para eles.

Com a cabeça no lugar, fui procurar o setor de embarque para Manchester, mas reparem na foto abaixo, não no meu dedo, mas no telão, o que está estranho para vocês?


Aeroporto de Frankfurt
                                                     
Notaram? Havia um único voo cancelado! E qual era o destino? Isso mesmo, Manchester. Não vou chorar (muito) e dizer que tudo acontece comigo, tinha 9 telões desse e apenas DOIS voos cancelados, sendo UM meu! Que ódio. Se vocês repararem, um pouco abaixo tinha um avião com destino a Birmingham, o embarque já acontecia, ou seja, não foi cancelado. E me lembro que mais ou menos na mesma hora um para Londres também estava liberado. Em Manchester aconteceu uma nevasca e o aeroporto fechou. A solução era procurar um guichê da Lufthansa e pedir explicações.

Cara, eu estava no aeroporto da empresa, assim como a TAM tem o Guarulhos em São Paulo. E procurei para achar um aberto, rodei bastante e por uns 10 minutos até encontrar duas simpáticas funcionárias. Eu expliquei minha situação para elas, num inglês de fazer inveja a Shakespeare, elas entenderam, me ajudaram, avisaram que o voo atrasaria 5 horas por causa da nevasca, mas esse atraso poderia ser maior ainda, dependeria do tempo de Manchester, que descobri que é imprevisível, e me indicaram um local para ir onde poderia tirar um voucher de 10 Euros oferecido pela empresa.

Apesar de simpáticas, elas falavam alemão entre elas. Como sou desconfiado (vide parágrafo acima), tenho certeza que elas estavam me entubando de alguma maneira, elaborando uma mentira para me contar e rirem da minha cara depois. Eu não tenho como provar isso, mas se pegarmos o vídeo nessa momento da conversa e se fizermos uma leitura labial em alemão, possivelmente, teria como processar a Lufthansa por deboche. Segue o jogo e fui pegar o voucher. Com meus 10 Euros, mais de 40 reais naquela época, preferi não arriscar e procurei um lugar certo para comer: McDonald´s!

                                                 
Propaganda gratuita do McDonald´s

Como eles não poderiam dar troco com o Voucher, o campeão que me atendeu ofereceu a promoção do McRib mais dois cheeseburguers e ainda sobrou três centavos, que deixei para o restaurante porque devem estar passando por dificuldades financeiras imensas. Toda essa aventura não fez passar tanto o tempo assim. E olha que achei um TV em inglês num lugar silencioso que eu pude acompanhar aquele circo que foi a condução coercitiva do Lula para depor na Polícia Federal. Me imaginei o personagem de Tom Hanks em o Terminal, o Sr Viktor Navorski, meu país estaria desfeito, não seria reconhecido por nenhum outro e não poderia sair do aeroporto.

Mentira isso, nem passou pela minha cabeça, pensei nessa bobeira agora....

Originalmente sairia às 16:35 da Alemanha e chegaria em Manchester por volta das 18 horas, ainda com muito movimento nas ruas. Mas com o atraso a saída ficou com por volta das 21 horas e chegada às 23 horas. Isso era na sexta feira, dia 04 de março, o jogo estava marcado para às 15 horas, horário de Londres, no sábado, dia 05. Estava um pouco tenso, mas ainda confiante que veria esse jogo. 

Não houve mais atraso, ainda bem, e o voo saiu de Frankfurt, lotado, às 21 horas em direção à Manchester, onde a aventura continuava. Nos próximos dias escreverei sobre minha chegada ao destino e qualquer coisa que possa ter esquecido sobre minha breve estada na Alemanha sem ter encontrado o Khedira.

E lembrei agora e não quero deixar de registrar: todos os funcionários da Lufthansa (incluindo as meninas do guichê, fiz apenas uma brincadeira), do aeroporto foram muito simpáticos comigo, quando precisei de ajuda, se esforçaram ao máximo.

domingo, 5 de junho de 2016

Retorno.

Prezados Citizens,

Depois de um tempo em suspenso, o blog voltará para a temporada 2016/17 com técnico novo, mas continuarei ser eu quem escreverá aqui.

Daqui alguns dias escreverei o primeiro post depois desse período sabático e envolve minha viagem para Manchester para ver uma partida do City. E posso dizer que sou pé quente, sai do Etihad com vitória, 100% de aproveitamento e não levei gol.

Aguardem meus amigos!